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OPINIÃO

Filha mulher

'Vamos estar... que coisa horrível'



Estas crônicas semanais me treinaram os ouvidos. Tudo que ouço aqui ou acolá analiso de forma até mesmo involuntária. Quando alguém diz que tem dois filhos homens e duas filhas mulheres, logo me pergunto: Se são filhos, não é lógico que são homens? E se filhas, não é evidente que são mulheres? Mas tem algumas coisas bem engraçadas que o falar popular facilita a compreensão. Tirar uma "chapa" do pulmão, ou do dente, simplifica discorrer sobre o Raio X, não é mesmo?

Cada vez que alguém na televisão, ou conversando comigo usa a expressão "diversos países do mundo", me vem logo o raciocínio: Será que tem países que não são do mundo? Não basta dizer países? A administração municipal batizou um loteamento com o nome de "Nova Alvorada". Não tem redundância nisso? Alvorada não é sempre nova? Nova e Alvorada não seriam a mesma coisa? Sei lá! Um candidato a prefeito aqui da terra do Monge, nas últimas eleições, usou a expressão: "Tem que mexer com o psicológico deles...".
Psicológico? Não seria com a psique? Psicológico vem da psicologia que é uma ciência que estuda a psique. Isto é pura implicância minha não é? Um vendedor, ao mostrar-me um apartamento repetia a cada momento que o `acabamento final´ daquele imóvel era perfeito e que aquilo se podia ver nos `pequenos detalhes`. Ao notar no meu rosto um discreto sorriso, quis saber a razão.

Desconversei e não disse. Seria indelicado explicar para ele que "acabamento" já é "final", e que "detalhes" são sempre "pequenos". Quando me falou o preço daquela unidade, quase tive um infarto do coração. Opa! Infarto do coração? Desculpem-me! Não dá infarto noutro órgão, pelo que se sabe. Pode ser até que dê, mas não tenho certeza absoluta. Opa! Certeza absoluta? O substantivo feminino
`certeza´ já não absorve o adjetivo `absoluta´? Advogados gostam muito de fazer "acordo amigável", ignorando que se houve acordo só pode ter sido amigável. Pior ainda é quando encerram um arrazoado com o sub-titulo: "Conclusão final". É lógico que a conclusão é sempre no final. Agora, coisa que me deixa irritado é o uso abusivo do gerúndio, que virou moda, e pensam que é chique usá-lo. Daí, é vamos estar operando, é vamos estar fazendo, é vamos estar plantando, é vamos estar caminhando, é vamos estar disseminando a burrice. "Vamos estar...", que coisa horrível!

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