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OPINIÃO

O galo

Por Carlos Homem


Já se detiverem a analisar como somos fracos na palavra? Fica cada vez mais difícil achar quem sustente aquilo que falou. A desconfiança sobre aquilo que nos dizem é cada dia maior. Se os compromissos não forem escritos e assinados é como se não existissem. Raríssimo alguém sustentar a palavra meramente vocalizada. Até mesmo nos contratos escritos e bem elaborados sempre estão encontrando contradições e ambiguidades para negar aquilo que foi dito. Aliás, a Igreja Católica foi fundada sobre um homem que negou conhecer seu Mestre e amigo, e até mesmo suas palavras. Ele se chamava Simão, antes de ser chamado de Pedro. E o negou três vezes antes do galo cantar duas! Devia ser madrugada para o galo avisar o Pedro do isentão que seria, e como ele passaria a ser conhecido. Não vou entrar no simbolismo desse galo bíblico, mas penso que ele está cantando bastante nos dias atuais. Maridos há que negam ter traído as esposas e estas, por sua vez, também negam que os estão chifrando. Mesmo que o galo demore a cantar. Os chineses se recusam em aceitar a paternidade do corona vírus, ainda que o galo fique rouco de tanto cacarejar. Há também os projetos de galo, como são os frangotes lesados que nos acusam de xenofobia, querendo ser politicamente corretos. O vírus corona é chinês e pronto! O Ministro Alexandre de Moraes, quando escritor, era contra a censura na imprensa, mas o galo cantou e ele agora nega que tenha tido aquele posicionamento. Já o Gilmar Mendes, com galo ou sem galo, seja cantador ou mudo, nega tudo aquilo que disse antes, e também aquilo que vai dizer no futuro. Aliás, o Gilmar Mendes é quem gosta de cantar de galo! Dizem os entendidos que o galo canta pra marcar território, pois penso que ele quer mesmo é se exibir pras galinhas. Em tese, é lógico! O Ministro Gilmar já é um daqueles galos com os pés cascudos mostrando a idade. Pra nada mais serve, a não ser um brodo com muitas horas de fervura. A verdade é que a falta de palavra caminha bem próxima da mentira e da manipulação. Ou da fraqueza humana, como foi o caso do Pedro ao negar que conhecia seu amigo Jesus. A credibilidade da pessoa está no fato de tornar-se conhecida por cumprir com aquilo que promete. Honrar a palavra empenhada, no entanto, tornou-se coisa rara. Quem não respeita o valor da sua palavra assemelha-se a um galo velho esfregando a espora na asa.  

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