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OPINIÃO

Como vai o seu estresse?

A pandemia tornou até o ser mais positivo em alguém apreensivo


Faço essa pergunta para saber se estou sozinha ou mais pessoas estão se sentindo completamente impactadas com a vida que temos levado desde março. Tem dias que o tal "seguir em frente" parece que é impossível e para qualquer lado que se olhe, a visão é somente do copo meio vazio. 

Queria muito ter a vida de redes sociais, onde o tempo em casa é utilizado para meditação, yoga, exercícios, leitura, cursos, desenvolvimento, mas na minha vida real, fi car em casa tem sido sinônimo de medo, apreensão e de não saber se no dia seguinte o corpo vai ter força para levantar e enfrentar mais um dia. Nunca o clichê de "viva um dia de cada vez", fez tanto sentido. 

Do trajeto de casa para o trabalho vejo os mesmos rostos cansados, olhos amedrontados e óculos com lentes embaçadas por conta do uso das máscaras. A pandemia tornou até o ser mais positivo em alguém apreensivo. A cada início de tarde, quando são divulgados os boletins da Covid-19 na região, o peito volta a apertar e nem sempre estamos fortes para não deixar a insegurança invadir. 

Enquanto existir vida correndo entre as veias, é certo que continuarei cumprindo o papel a que me propus ao escolher a comunicação, o que não signifi ca que o corpo se transforma em máquina e os sentimentos se escondem. Também somos humanos e estamos com medo, mas não deixamos de estar na linha de frente e indo até onde for preciso para bem exercer o jornalismo. 

A partir de agora, o que antes eram apenas números, estão se tornando pessoas, conhecidos nossos que estão doentes, internados ou que não vencem o vírus. Não há como se preparar para despedidas, mas podemos evitá-las nos cuidando, fazendo nossa parte e tentando manter o controle de nossos impulsos. O momento é de conscientização, respeito e de entender que estamos no mesmo barco e apenas tentar atingir o próximo, não vai impedir que toda a estrutura afunde de vez. 

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