38 anos.png
VARIEDADES

Paixão em quatro rodas

Dani acredita que todas as mulheres deveriam entender mais sobre a mecânica de seus carros

Por Claudia Sena


Desde criança, Dani percebeu a paixão por veículos (Foto: Claudia Sena)/

Espontânea, popular e dona de si, esta é a Dani Baticini, de São Cristóvão do Sul, que reforça a realidade de que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive, no autódromo. Apaixonada por carros, ela é colecionadora de modelos antigos em miniatura e comemora, neste domingo (8), o Dia Internacional da Mulher.

Ainda na infância, Dani viu a paixão por carros se formando, despertada pelas idas aos autódromos para assistir corridas, além da influência de sua família. Ela é sobrinha do colecionador de carros antigos Antônio Roberto Baticini (Quati), um dos sócios fundadores do Clube Antigos da Serra. "Meu tio e primos sempre gostaram de carros antigos. Na minha adolescência, ajudava no posto de gasolina, que na época era da minha família, e meu primo Wesley assinava uma revista de carros. Eu ficava babando toda vez que chegava um novo exemplar e tinha muita vontade de ter um carro como aqueles", conta.

Em 2002, ainda criança, Dani comprou sua primeira miniatura, uma pick-up F100, ano 1956. Em 2013, surgiu a oportunidade de assinar uma revista que trazia miniaturas de carros antigos e, desde então, não parou mais de colecionar. O primeiro carro da revista foi um Opala SS, que fez Dani ter certeza de que aquela assinatura, que não custava barato, seria um dos investimentos mais acertados da sua vida. Hoje, mais de 100 miniaturas, entre exemplares de variadas marcas de 1960 a 1992, integram o acervo que, segundo Dani, não tem preço.

Técnica em Enfermagem, estudante de Engenharia de Produção e almoxarife na empresa Gell Energia Limpa, do grupo Gaboardi, Dani conta que, por ser mulher, muitas pessoas estranham seu gosto peculiar. "Minha mãe é uma delas. Como meus carrinhos ficam todos na estante do quarto, na primeira oportunidade, ela colocou no meio, umas bonecas Barbie, para mostrar que era um quarto de menina", se diverte. Segundo ela, todos se surpreendem quando conta sobre sua coleção. "Quer ver quando eu faço algum story de algo que estou vendo na TV e a coleção aparece na imagem, muita gente me chama para perguntar onde estou e se espanta quando digo que é no meu quarto, porque custa acreditar que tudo aquilo é de uma mulher", descreve.

Dani não sabe ao todo quantos carros tem, e, apesar de gostar de todos, tem preferência por alguns, como o Galaxy, o Isetta, a Brasília e o Fiat 147. "O Galaxy é meu sonho de consumo, até porque minha preferência é dirigir carro grande, mas o Isetta, por ser tão pequenininho, é o meu xodó. A Brasília tem um encanto especial, e o Fiat 147 é tão lindinho que dá vontade de você ter sempre por perto", revela.

Alguns itens são os preferidos da colecionadora (Foto: Claudia Sena)/

No entanto, quando chega visita em sua casa, o ciúme da coleção fala mais alto e Dani logo determina: "Não pode pegar! Qual você quer ver? Eu pego para você. Criança no meu quarto eu não levo. Uma vez, uma amiga esbarrou na estante, meus carrinhos caíram, ela paralisou na hora, e eu só falei: saia daqui. Por sorte não houve danos e eu a perdoei", relembra com risos.

Empoderamento

Até que o sonho de ter um Galaxy (de verdade) possa ser realizado, Dani demonstra todo o entendimento por carros com sua Parati, ano 1996, que ela chama de Tatá. "Numa ida a Curitibanos, quando estava chegando, levei o pé no freio e ele não funcionou. Paramos no posto de gasolina e enquanto abastecia, todo mundo olhando e, com certeza, pensando que eu era uma 'barbeira'. Desci, abri o capô e percebi que a mangueira do freio estava presa ao cabo do acelerador. Coloquei a mangueira no lugar certo, fechei o capô e logo o frentista, com ar de deboche, perguntou se eu precisava de ajuda. Respondi que não, que já tinha resolvido. Entrei no carro, dei a partida e todos ficaram surpresos que eu realmente tinha solucionado o problema. Me senti uma mulher empoderada, que conseguiu fazer o que todos pensaram que só um homem poderia resolver", comemora.

Enquanto representante da classe feminina, Dani sente-se orgulhosa e acredita que a mulher deveria entrar mais no mundo automobilístico. "A mulher deveria buscar entender mais do seu carro, não depender que alguém faça isso por ela. Eu penso que até a parte da mecânica, às vezes, não precisa de oficina, porque o carro está fazendo algum barulho estranho ou coisa assim. Não pode ter medo de sujar as mãos e eu garanto, é muito gratificante", afirma. Um dos sonhos da colecionadora é construir uma casa com lugar especial para suas miniaturas. "Já visualizo como vão ficar expostos os carros, todos com proteção de vidro", concluiu.



Jornal "A Semana" | Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida | 89520-000 | Curitibanos | (49) 3245-1711