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VARIEDADES

Muito além de beleza

Loren Carvalho começou a empreender durante a pandemia

Por William Dias


(Fotos: RTZ MÍDIA/Arquivo pessoal)/

Com o objetivo de aumentar a autoestima das pessoas, a jovem Loren Carvalho Bandeira vem causando transformações na vida de diversos curitibanenses que se interessam pelo cabelo trançado. Natural de Vila Velha (ES), ela conta que sua mãe descobriu um tumor e para que pudesse tratar com mais urgência, as duas se mudaram para Santa Catarina. Depois de muitos exames, foi descoberto que se tratava de um tumor benigno, mas por ambas estarem adaptadas com a vida no estado, resolveram continuar, foi quando Loren prestou vestibular para Medicina Veterinária na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Curitibanos passou a ser o novo lar de mãe e filha.

Com o início da pandemia, as aulas foram suspensas e Loren teve que se reinventar. "Meu primeiro contato com as tranças foi em 2019 quando estive no Rio de Janeiro, percebi que lá é muito comum as pessoas de todas as idades usarem tranças e isso me impressionou bastante. Lá fiz minha primeira trança e me apaixonei", revelou.

Com a necessidade de complementar a renda, fez curso de tranças em agosto de 2019 e iniciou os trabalhos em amigas, e em 2020 resolveu realmente investir em seu próprio negócio. "Meu principal obstáculo foi o preconceito que as pessoas têm com as tranças, muitas pessoas pensam que as tranças têm um mal cheiro e que não podem ser lavadas e isso não é verdade.

Também a parte financeira que eu não tinha conhecimento sobre a área", disse. Loren reforça que o "Loren Braids" (nome do ateliê) nasceu com o objetivo de aumentar a autoestima das pessoas, já que os cabelos estão fortemente atrelados ao se sentir bem. "O ateliê tem dado muito certo, porque as pessoas buscam se sentir bem e ter sua autoconfiança elevada, e um penteado ou uma trança nova tem esse poder de realçar a beleza de cada pessoa", disse. As tranças estão fortemente ligadas com a questão cultural e de acordo com ela representam história forte para população negra. "Recebo diversas mensagens relacionadas a essa questão, de que se é ou não uma apropriação cultural caso uma pessoa branca faça tranças e é algo que eu venho tentando esclarecer para as clientes, que toda e qualquer pessoa pode fazer as tranças, desde que se sinta bem com isso", explicou. As tranças feitas pela jovem não são com linha, mas com jumbo, material sintético próprio para os penteados. "Elas têm durabilidade diferente para cada modelo, mas a mais pedida no ateliê dura cerca de um a dois meses. Recomendo que a lavagem seja feita uma vez por semana, porque como o cabelo está preso não suja com tanta facilidade. Já as tranças feitas com o próprio cabelo da pessoa duram até uma semana e a lavagem pode ser feita com o próprio xampu", salientou.

Loren explica que tiveram tranças que chegaram a demorar nove horas para serem concluídas. "Quando iniciei com as tranças com as minhas amigas, começava às 18 horas e terminava por volta da 1 da manhã, mas com a prática isso melhorou muito", relembrou.

Espaço próprio

Vendo o espaço de sua casa ser pequeno para os atendimentos, a partir de 20 de março ela abre seu próprio espaço, localizado na Avenida Leoberto Leal. "A mudança de espaço vem para somar no meu trabalho e oferecer mais conforto para as clientes, que se sentem mais à vontade em um espaço apropriado. Além das tranças, penso em trazer novidades, pois sinto que a cidade precisa de mais coisas novas", disse.

"Não desista"

Para mulheres que desejam empreender, Loren diz que não desistir é o principal foco, pois muitos obstáculos vão surgir. "Muitas pessoas vão criticar e dizer que não vai dar certo, que você deve fazer uma faculdade e etc. Mas se você quer, você consegue!", finalizou a jovem.


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