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VARIEDADES

Futebol que une

O independente foi o primeiro clube curitibanense a chegar no Campeonato Catarinense de Futebol

Por Rubiane Lima


(Foto: Divulgação)/

Apaixonados por esporte na região sabem o quanto o futebol é importante para Curitibanos, pois é através dele que as torcidas se unem nas arquibancadas e soltam o grito de guerra entalado na garganta. Mas engana-se quem pensa que essa paixão é de agora, pois desde os primórdios, o esporte tem sido parte integrante e ativa na história do município. Entre os fatos marcantes, está a história escrita pelo Independente Atlético Clube, criado em 8 de fevereiro de 1956, por Orocimbo Caetano da Silva e atletas locais, que elevou o nome da cidade ao Campeonato Catarinense de Futebol.

Essa história é contada através dos arquivos resgatados pelo historiador Sebastião Luiz Alves (in memoriam) e pelo esportista Jonas Poletto, que tem o esporte como parte fundamental de sua vida. Professor de Educação Física, foi entre quadras e campos, que Jonas se desenvolveu profissionalmente e fez amizades que mantêm até hoje.

Ele conta que o Independente AC era representado pelas cores amarelo e azul, que tornaram o time conhecido como "Canarinho do Alçapão da Baixada". Para quem não conhece, antes do Estádio Municipal Wilmar Ortigari (Ortigão) ser o ponto de encontro de atletas, comissões e torcidas, os jogos aconteciam no Estádio Municipal de Curitibanos, que ficava no terreno onde hoje é a Secretaria de Obras, na Rua Benjamin Constant. Jonas relata que o local era chamado de Alçapão da Baixada, uma vez que os times da cidade eram quase imbatíveis jogando em casa.

Como é difícil que algo agrade a todos da mesma maneira, em novembro de 1959 foi publicada reportagem no jornal A Notícia, de Joinville, dizendo que o local não poderia ser considerado nem campo de futebol oficial para as disputas, julgando o espaço de maneira pejorativa. "Não serve nem para partidas de várzea (...); o seu gramado é completamente acidentado, com as áreas esburacadas e carecas, cheio de saliências", dizia a nota publicada.

Enquanto de um lado as críticas eram ferrenhas, do outro havia a fiel torcida e apoio para continuidade do trabalho. Somente três anos após a criação, o Independente já alçou voos mais altos e aventurou-se pelos campos estaduais em 1959, sob a presidência de Ney Aragão Paz. Na fase preliminar, a disputa aconteceu em quatro zonas regionais, com Curitibanos ficando na Zona Oeste, encarando outros cinco adversários, que lutariam para seguir para fase final, com oito clubes no total.

Entre os benefícios de estar no centro do estado, o destaque fi cou para a proximidade das disputas, não chegando a percorrer 70 quilômetros para jogar. Jonas relata que nesta fase a equipe chegou na 2ª colocação do grupo e colocou a cidade pela primeira vez no mapa do futebol catarinense. Jogando contra times de Caçador, Lages, Tangará e Joaçaba, ficou atrás apenas deste último. Já na fase final, Curitibanos entrou em disputa contra Criciúma, Brusque, Joinville, Joaçaba, Tubarão e Florianópolis. A fase final não foi positiva para os curitibanenses, que encerraram a participação inédita em 7º lugar, com seis pontos, à frente apenas do Comercial, de Joaçaba.

Como já é característico no município, os times se organizam da melhor forma que podem para conseguir patrocínios e manter a estrutura necessária para atletas e comissões técnicas. Com o Independente não foi diferente, sendo a participação no Estadual mais lembrada por amor do que por ter recursos sufi cientes para investimento. Através das pesquisas do historiador Sebastião, que deixou grande legado da história local, ficou registrado que o time só conseguiu equilibrar as contas após lei municipal que concedia auxílio ao clube.

Entre os atletas que fizeram parte do Independente estão Virgínio Lopes, Pit Balbinot, José Romeu Kochann, Felipe Abrahão, Ademir Dutra, Jair Ledoux Silveira e Borges Barbeiro.

O fim

Em 1962 o Independente voltou para o Catarinense, desta vez com fase inicial jogando contra equipes do Meio-Oeste e Serra Catarinense. Não fazendo boa campanha, ficou na 3ª colocação, sem seguir adiante no campeonato. Caindo no esquecimento durante a década de 1960, em 1972 a Prefeitura de Curitibanos ainda tentou incentivar novamente o clube, mas sua história de sucesso já havia ficado para trás. Para Jonas, o que vale é o legado de garra e luta que ficam, com a memória de que Curitibanos já esteve entre os gigantes de Santa Catarina.

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